Relativamente às notícias publicadas pelo Correio dos Açores nos passados dias 29 de Março e 1 de Abril, no que diz respeito a “Actividades Ilegais na Lagoa do Fogo”, gostaríamos de tecer os seguintes comentários, os quais tornamos públicos aqui neste blog. Este mesmo texto irá ser enviado para o referido jornal a solicitar que seja publicado numa das próximas edições:
A notícia de 29 de Março é ilustrada por uma foto sem autor, é um artigo sem assinatura, uma denúncia de um grupo de ambientalistas não identificados sobre actividades ilegais numa reserva natural. Tudo muito vago, excepto que o BTT está na linha da frente das actividades ilegais.
O artigo de dia 29 de Março foi o mote para um segundo artigo no dia 1 de Abril. No conjunto das duas notícias, são enumeradas três situações (acampamentos, fogueiras e motos) que dizem respeito a eventos que ocorrem mesmo no coração da reserva da Lagoa do Fogo, na sua zona mais sensível em termos ecológicos; é nessa zona que estão a maior parte das espécies vegetais com interesse ecológico, para além da própria Lagoa, um recurso aquífero de inestimável importância para a ilha e seus habitantes.
Incluem no mesmo “pacote”, uma prova oficial (logo não clandestina) de BTT realizada numa plantação de criptomérias infestada de conteiras, sujeita a uma exploração com fins comerciais, e localizada no limite exterior, não da Reserva Natural do Fogo, mas sim da “Área protegida para a gestão de habitats ou espécies da serra de Água de Pau”. E quando referimos “limite” da reserva é mesmo isso que queremos dizer: apenas os 100 metros iniciais da prova decorrem ainda na zona limítrofe da referida área. Os restantes 900 metros da prova não estão abrangidos pelo Decreto Legislativo Regional nº 19/2008/A de 08/07/2008.
O Clube NC e a Associação de Ciclismo já remeteram um esclarecimento aos Serviços de Ambiente de São Miguel e temos a certeza que este equívoco será devidamente ultrapassado, até porque a nossa postura tem sido a de total transparência para com todas as entidades oficiais com quem, de uma forma ou de outra, temos trabalhado.Não é por acaso que temos conseguido realizar provas (de Down-Hill e de Cross-Country) nas Sete-Cidades, na Lagoa do Carvão, no Pinhal da Paz, no Cerrado dos Bezerros, todas zonas sujeitas a legislação específica. Até agora não tivemos o mínimo problema com ninguém e isto deveu-se não só à nossa forma de trabalhar em prol da modalidade, mas também a todos os amantes de BTT que têm demonstrado um respeito enorme pelas normas ambientais em vigor nos locais por onde temos passado.
Fazemos notar que em momento algum, nem o Clube NC (entidade organizadora da prova) nem a Associação de Ciclismo dos Açores foram chamados a prestar quaisquer esclarecimentos em relação ao assunto, junto do Correio dos Açores. Achamos que teria sido elementar neste caso.
Perante o público, a única coisa que sobressai e que fica na memória de quem lê os artigos é de que existem “gangs” organizados em grupos, que se fazem mover através de bicicletas, com o intuito único e exclusivo de andar a destruir o ambiente por onde passam. Foi esta, infelizmente, a mensagem que o Correio dos Açores conseguiu fazer passar para a opinião pública, pelo menos a avaliar pelo feedback indignado que recebemos de muitos praticantes de ciclismo, tanto de recreio, como de competição.
O BTT não é de forma alguma uma actividade nefasta para o ambiente. É falso que os “betetistas” degradem o ambiente da forma como é retratado nos dois artigos que saíram no Correio dos Açores, sobretudo na edição do dia 29 de Março. O teor do texto que é redigido, revela uma profunda ignorância do que é a prática de BTT. Não somos ingénuos ao ponto de pensar que não existem aqui e ali praticantes que não respeitem as normas elementares deste desporto (infelizmente isto é transversal a todas as actividades humanas), no entanto, podemos afirmar que o BTT é um dos desportos “amigo do ambiente”, no sentido em as bicicletas não poluem, não emitem poluição sonora nem a sua passagem promove a degradação do piso… as bicicletas não têm motor. É tudo feito com o esforço do ciclista.
Apesar de ter sido feito de uma forma pouco elegante, a verdade é que nunca é demais chamar a atenção para a defesa do ambiente e para as implicações que existem por circular em zona classificadas. Ignorar isto seria dar de facto razão a quem se deu ao trabalho de envolver o BTT nesta polémica. Não é isso que queremos.
Enquanto praticantes desta modalidade, os betetistas devem colocar-se na vanguarda da defesa das causas ambientais. O BTT é por excelência um desporto que promove o contacto com a natureza. Por isso, temos todos responsabilidades acrescidas neste tema.
Deixamos aqui o convite à Associação Amigos dos Açores para reunir com a Associação de Ciclismo dos Açores no sentido de esclarecer o que nos parece ser um mal-entendido. Na nossa opinião seria extremamente útil um conhecimento mútuo das vontades e motivações de ambos. Seria por exemplo muito interessante a promoção de uma sessão de esclarecimento/debate por parte dos “Amigos dos Açores” aberta a todos os praticantes de BTT (e outros que se queiram juntar), para que todos fiquem devidamente sensibilizados para as questões ambientais, e nós próprios possamos estar à altura de ajudar a passar essa mensagem da melhor forma possível.
Fim do comunicado.